Bonne fête Place des Arts !

Um dos meus locais favoritos de Montréal faz 50 anos hoje. Nem ia fazer disso um post, mas a OSM publicou o programa do concerto de inauguração e fiquei sorrindo com as coincidências bobas dessa vida. Zubin Mehta tem um lugar especial nas minhas lembranças de infância e eu não sabia que ele tinha sido Diretor Artístico da OSM…

Num belo dia lá no fim dos anos 80, minha mãe me levou para assistir uma apresentação dele… Eu devia ter uns 5 anos, no máximo. Concerto gratuito, num parque. Santo Google me diz que foi um concerto da Filarmônica de Nova Iorque no Ibirapuera, mas eu não me lembro dos detalhes do local, apenas da orquestra (deve ter sido a primeira vez que vi uma ao vivo), do maestro (o nome Zubin Mehta grudou a minha mente como chiclete) e de sua batuta. Lembro do meu encantamento com tudo aquilo, e der regido orquestras invisíveis por umas boas semanas depois.

Agora que eu fiquei saudosa, queria ver Zubin Mehta novamente. Regendo a OSM, aqui, na minha querida Place des Arts.

:)

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As receitas da minha mãe…

Amo minha mãe… todo mundo sabe disso. Mas, o que a véia tinha de mão boa na cozinha, ela não tinha para colocar as suas receitas no papel. As receitas dela que eu tento fazer quase nunca dão certo (parte da culpa pode ser dos ingredientes, afinal, nem tudo a gente encontra exatamente igual ao do Brasil – mesmo a farinha de trigo, a daqui eu acho um pouco mais ‘densa’, deixa sempre a massa mais pesada), e se antes eu achava que o problema era todo meu, hoje tenho certeza que boa parte da culpa é da própria receita.

Neste exato momento tento assar uma torta de liquidificador, receita fácil e rápida que minha mãe sempre fazia, e que eu nunca tinha tentado fazer sozinha… Taqueupa, que nervoso! Várias medidas em ‘colheres’ (que tipo!?) e pra terminar um ‘asse até dourar’ (quanto tempo? que intensidade?). Realmente espero que essa torta fique boa, afinal, estou contando com ela para o lanchinho da semana…

Pra terminar o desabafo, deixo meu conselho para as mães e futuras mamães prendadas na cozinha e que querem deixar um livro de receita pros filhos: escrevam suas receitas com o máximo de detalhe possível, especialmente as quantidades e tempo de preparo. Os filhotes agradecem!

:)

 

26 de março…

Mamis morreu num 27 de março, mas sempre acho o dia 26 mais difícil… é o dia que a gente se despediu… que a gente chorou, deu risada… e que aos poucos minha mãe se foi…

Tristezinhas à parte, hoje eu vi os primeiros brotos das tulipas que eu plantei no outono!

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Achei essa coincidência gostosa demais…

:)

Fora do ar…

Pois é… o post passado ficou meio contemplativo… ando um pouco assim… é o meu normal para essa época do ano…

em algumas semanas faço aniversário (30 primaveras! o.O)…

e  com a morte de mamis, o fato dela ter dois aniversários: seu nascimento de fato no 30 de junho (dia da minha mudança, by the way), que era uma data mais nossa,  e a data que consta no registro, 15 de julho, que é o que todo mundo comemora, me deixa sempre meio tristonha… ou talvez mais tristonha, já que nunca fui muito fã de comemorar o meu aniversário (e não, não é uma questão de não querer envelhecer) …

ando ouvindo muita música brasileira… Caetano, como mencionei ontem, e, mais do que ele, Clara Nunes, que minha mãe costumava cantarolar muuuito… não consigo não ficar com o olho cheio d’água ao ouvir ‘Conto de Areia’…

e ando pensando muito na vida… não é nada muito questionador… do tipo ‘onde fui amarrar meu bode?’… imigrar foi a decisão mais acertada que tomei na vida… o Québec me emputece bastante às vezes, mas não chega nem perto do quanto o Brasil me emputecia (e continua me emputecendo)… aqui eu sou feliz… não sei se minha felicidade vai estar para sempre no Québec, mas sei que minha felicidade não está no Brasil (com certeza não está na Grande São Paulo)… família que me perdoe, mas tenho comichão só de pensar em ir para São Paulo… sei que vou ter que fazer uma visita eventualmente… mas enquanto puder, procrastino…

e às vezes me questiono o que é pior: essa saudade louca que faz o povo voltar sempre para o Brasil ou não sentir isso… pq, vou ser honesta, amo minha família, mas quero muito mais conhecer o mundo do que visitar Santo André (e sei que eles não entenderiam que, dada a opção entre fazer uma viagem legal (não precisa nem ser a viagem dos sonhos) para qualquer parte do mundo e ir para Santo André, eu optaria para ir para qualquer outra parte do mundo)… isso faz de mim uma pessoa ruim? não acho que faça… mas me faz sentir culpa… e culpa pesa muito mais que saudade… hehe…

Anyways… o fato é que estou contemplativa.. e estou de mudança…  ando muito cansada… cansada a ponto de dar umas pescadas no trabalho (!!)… me auto diagnostiquei com estafa física e emocional…

Então aproveito o momento para dar uma pausa no blog… de alguns dias apenas… prometo que volto, depois de dormir bastante no 1˚ de julho, com as energias recarregadas,  fotenhas da mudança, do cafofo novo e de Ste Anne, sempre lindinha…

:)

Pinhão!!!

Acabei de começar a matar minha vontade!!

Pinhão!! Com direito à fumacinha!!

Eu amo pinhão!! Há muito tempo!! Uma das poucas coisas que eu sempre gostei nessa vida… lembro do panelão de pinhão cozinhando no fogão de lenha na casa da minha vó… e de sentar com a minha mãe, ali mesmo no quartinho todo preto da fumaça para come-los… lembro do sítio do meu tio em Joanópolis, cheio de araucárias, das horas que passamos pegando pinhão (voltavamos das férias de inverno com sacolas cheias!)… Vim pra cá sabendo que sentiria falta dele… afinal, se substitui muita coisa, se encontra muita coisa em mercados brasileiros, mas o pinhão, que é endêmico do sul/sudeste do Brasil, é ‘o’ alimento que eu sei que não vou encontrar por aqui… e para mim, pinhão não é apenas algo que eu gosto de comer, é memória afetiva…

O bom é que, para remediar a situação, sempre existem as almas caridosas que trazem essas regalias para o bem do povo e felicidade geral da nação fazer um imigrante mais feliz!! Valeu, de coração, Apoema!!

:)

* E minha prima que me perdõe, mas quando voltar para o Brasil, não vai ser no Natal… vai ser no inverno para eu me entupirrrrr de pinhão!! hehehe

Get your butt seen / Faite voir vos fesses…

Eu vi primeiro no site da família Lapin a notícia sobre o “Expresso buzanfa” (vou manter a tradução da Lapin-Mére, até pq eu adorei!)… e achei muuito importante o trabalho da Association canadienne du cancer colorectal / Colorectal Cancer Association of Canada em informar a população da importância dos exames preventivos do câncer colorretal!

Mamis morreu por conta de um câncer colorretal diagnosticado tardiamente (e o que me deixa mais chateada é que ela ia anualmente ao gastroenterologista (e em outros especialistas também) e o belo nunca pediu uma colonoscopia preventiva, mesmo minha mãe tendo mais de 60 anos)… então meus queridos, fiquem muito espertos!! Sem histórico de câncer na família, uma colonoscopia a cada 5/10 anos (a critério do médico) após os 50 anos é suficiente em termos preventivos, se tiver histórico de câncer colorretal, mama, ovários, útero e endométrio, após os 40 anos, colonoscopia de 5 em 5 anos!! Isso pode salvar sua vida!!

Para saber mais sobre a associação e sobre a campanha:

Get your butt seen 

Faite voir vos fesses

:)

100 dias de Canadá…

Pois é pessoas… hoje completo 100 dias por essas terras!!

E por coincidências da vida, hoje também faz um ano que troquei minhas últimas palavras, choros e risadas com a minha mãe… ela faleceu no dia 27, mas, para mim, o 26 é mais importante… é o ultimo dia de mamis viva e lúcida… foi o dia que nos despedimos… foi o encerramento de uma fase da minha vida…

Uma fase que eu não queria que acabasse, pq viver sem mãe é difícil demais… quantas vezes eu me pego querendo ligar pra ela para contar tudo o que está acontecendo por essas bandas, do mesmo jeito que eu fiz quando morei em Niterói ou quando vim pra Montréal em 2008 (e quantas vezes mamis ficou puta comigo pq eu simplesmente ligava demais, deixando a conta do telefone exorbitante… hehehe – sério, várias vezes ela simplesmente pedia para eu parar de ligar… hehehe)… e, engraçado, a falta que ela me faz aqui é diferente da falta que ela me fazia no Brasil… por lá, o problema era que tudo me fazia lembrar o quanto minha mãe se diferenciava do resto da minha família e de como isso a fazia muito mais especial… aqui, sinto falta das conversas, dos conselhos, das broncas, de ter esse apoio que só a mãe (ou pai para os que tem pai presente) da gente pode dar…

Mesmo com a saudade, a vida continua… tenho meus planos… minhas metas… e esses primeiros 100 dias estão com um saldo ultrapositivo… aproveitei muuito o inverno (e sem gastar quase nada com isso… hehehe), tenho um emprego que paga minhas contas, consegui me matricular no francês dentro do prazo que eu inicialmente previ,  e, last but not least, as amizades que a imigração tem trazido… sério, tenho conhecido gente incrível (sejam eles brasileiros, canadenses ou imigrantes de outras nacionalidades) e me sinto privilegiada de ter tanta gente bacana próximo a mim…

Por em prática um sonho antigo tem valido muitíssimo a pena!!

Pra terminar, uma das minhas fotos favoritas… ai que saudade!!

:)

Que de hauts que de bas c’est la vie dans ce monde…

Triste réalité*…

Eu sabia que toda a minha felicidade estava com os dias contados… e sabia que hoje, dia das mães, seria o dia da vaca ir para o brejo… adicione uma TPM e uma cólica horrível, e o resultado é um dia que eu quero deixar para trás…

Tenho que falar que eu nunca fui fã do Dia das Mães… assim como Natal e outras datas comemorativas… muito comercialismo e pouco sentimento… acho que a gente não precisa de uma data marcada para demonstrar nosso amor pelas mães ou para estar junto de pessoas queridas… então, assim como o dia dos pais me passa batido todos os anos (não sei se eu falei, mas eu tenho um pai vivo… um lixo de pai, que eu não mantenho contato, mas um pai nonetheless), eu achei que o dia das mães não me afetaria tanto… ledo engano!!

E esse negócio de dia das mães já tem me afetado faz algum tempo… com os junkmails anunciando as ofertas de dia das mães, vendedores de loja perguntando se o presente da minha mãe já tinha sido comprado (confesso que nessas horas tive muuita vontade de dizer “minha mãe morreu, então não serei eu a contribuir com sua meta de venda, ok?? bye bye!!) e como tudo isso é tão insensível para os que perderam suas mães…

E obviamente hoje foi um dia ruim… não cheguei a chorar, mas senti um vazio o dia inteiro… passei o dia de cama por conta da cólica e o único lado bom é que a Nina se juntou ao time dos curtidores de fossa e passou o dia dormindo junto comigo… e nessas horas agradeço muito pela minha companheirinha de quatro patas!! Chegar em casa passada depois de 24 horas no hospital e ser recepcionada por um rabicó ligado nos 220v sempre me fazia sentir um pouco melhor!! Almocei super tarde, sozinha mesmo, e deliberadamente me esquivei de todos os convites de almoço que recebi… desejo tudo de bom a todas as mamães por aí, mas hoje eu não estava afim de celebrar o dia de nenhuma outra mãe… simples assim…

Agora eu fico na espera de que amanhã minha cólica passe, que todo esse papo de mãe passe e que essa saudade melhore um pouco… sei que o vazio nunca vai desparecer totalmente… mas na maioria dos dias a saudade é totalmente suportável…

:)

* O título do post saiu desta música aqui:

Agradecimentos…

Pessoal,

Não sei como agredecer todos os recadinhos deixados… sério… estou sem palavras!!!

Durante toda a doença de mamis o apoio de vocês me ajudou muito!! E isso é um coisa que eu levarei comigo para o resto da vida…

Os Beatles já diziam ‘I get by with a little help from my friends’ e, para mim, essa frase resume bem o que eu estou sentindo no momento… a vida vai seguindo e eu estou muito feliz de ter tanta gente boa ao meu lado!!!

Merci mesmo!!!!!

This is it…

Ontem, 27.03.10, mamis foi para o lado de lá…

é um mix de sentimentos tão grande…. mas eu posso resumi-los em três: alívio, pq nas últimas semanas mamis sofreu muito; tristeza profunda, pq eu perdi a pessoa mais importante na minha vida; e um novo folego pq, se no último ano e meio eu vivi praticamente por conta de mamis e do câncer, agora eu estou mais do que pronta para correr atrás do que é meu… e se até ontem eu estava pianinho com relação ao tempo do processo, agora eu quero que o pedido de exames chegue amanhã!!! hehehe Se antes a minha viagem estava mais ou menos prevista para outubro, agora eu quero começar a minha vida em Montréal o mais rápido possível!!

Vamos ver o que o destino me reserva… se do meu lado eu tenho quase certeza que em 3 meses eu consigo resolver todas as pendências para viajar tranquila, estou agora torcendo para que o Consulado tb termine meu processo em menos de 3 meses…   espero realmente que seja factível chegar em Montréal até o dia 20 de junho, via Air Canada…   juro a vocês que até agora eu tenho acreditado que as coisas estão acontecendo de forma a se encaixar… espero que as coisas continuem assim… e que em junho eu chegue em Montréal…

Para finalizar, fiquem com uma fotenha minha e de mamis… confesso que são poucas as fotos em que estamos juntas (problema típico de filhos únicos de mãe solteira… hehe… a mãe tira um monte de foto do filho, mas nunca aparece nelas)… uma pena…

P.S.: agradeço de coração todas as preces, pensamentos e palavras… espero um dia conseguir retribuir o carinho de alguma forma!!!