Das ‘pequenas’ diferenças que ainda me surpreendem…

Depois de 3 anos presa a um contrato com uma operadora de celular, resolvi mudar… Uma questão de diminuir o valor da conta no fim do mês, e não insatisfação com sinal/serviço/etc. Não me lembro de como a portabilidade funciona em Terra Brasilis, mas aqui foi tudo muito simples, coisa de 15 minutos.

Hoje recebo um email com a minha última fatura com a operadora antiga e, antes mesmo de abri-la, já estava preparando meu espírito para uma cobrança indevida, dor de cabeça, yada yada. Mas não… os cálculos estavam corretos e eu recebi o crédito que eu suspeitava ser devido. O problema? Ainda não sei como fazer para recuperar esse dindin (talvez esteja aí a questão que me dará dor de cabeça? hehe).

O fato é que acho tão triste que o Brasil me programou a esperar desonestidade alheia (seja de empresas, pessoas, etc). Outro dia reclamando do processo para ter o reembolso do plano de saúde (acho arcaico), uma prima me perguntou se ‘pelo menos funcionava’. E no meu caso, sempre funcionou. Eu junto os recibos e tudo sempre foi reembolsado, nos termos do meu plano, sem questionamentos, dentro de um prazo razoável (seria mais rápido se o processo não fosse tão arcaico… hehe).

Enfim, sinto que a grande diferença é que aqui algumas coisas podem ser mais atrasadas (preencher formulário em papel e mandar por correio como única opção, por exemplo), mas lei, contratos e afins são, na maioria das vezes, cumpridos. No Brasil, empresas já fazem seu planejamento pensando em não cumprir nada, oferecer aquém, ter despesas judiciais, esperar até o último momento para oferecer aquilo que é, tecnicamente, a sua razão de existir.

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3 anos…

No dia 17 comemorei meus 3 anos de Canada. Que loucura! Hoje a minha vida pré-imigração parece ser uma outra vida, parece pertencer a uma outra pessoa. Não penso em voltar ao Brasil, mas não sei se o Québec vai ser minha casa para o resto da vida – já saí da Terra Brasilis por questões ideológicas, não tenho problemas em deixar a Belle Province pelo mesmo motivo. Mas isso é assunto para outro post. Planos para o ano 4? Viajar mais. Comprar um imóvel. Dançar. Estudar. Sair do Facebook.

Embalaram este post – Janelle Monáe & John Lennon.

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“Que há num simples nome?”

Das coisas bobas que eu achava que não iria me irritar por aqui, mas que irrita? Meu nome completo. 

Explicando… Meu nome completo é Juliana de Fulano e Beltrano… E no Brasil desde quase sempre fui conhecida como Juliana de Fulano (graças à professora da 1a série e a outra Juliana da sala, que dividia comigo o sobrenome Beltrano). 

Avançando a história, aqui no Canada é impossível fazer alguém entender os conectivos ‘de’ separado do sobrenome ou, pior, o ‘e’. Na prática, isso significa que eu praticamente não tenho um documento com o meu nome completo correto. Entre ‘DeFulano’, Del Fulano, De Fulan, DeFulano E. Beltrano (alguns entendem que o ‘e’ é uma abreviação de outro sobrenome), e todas as permutações possíveis, eu já estou esgotando o espaço nos formulários que perguntam por quais outros nomes eu sou conhecida… :/ 

Fora o problema legal da coisa… não acho nada bom ter tantas variações do meu nome em tantos documentos diferentes. Até hoje não chegou a ser um problema de fato, mas sei lá… Vai que um dia isso me impeça de comprar um imóvel, ter um cargo público, etc… Enfim, me incomoda. Já disse que gosto de dramatizar meus problemas, não!? 

O que me dá um pouco de esperança é que dia desses, enquanto olhava o formulário do pedido de cidadania (está chegando!! yay!), vi um campo onde é possível solicitar que um nome diferente do que está no documento de imigração apareça no certificado de cidadania… E aí me pergunto… Será essa a minha solução!?  Será que o CIC aceitaria, pelo menos, tirar meus conectivos do mal? Apesar de preferir ser conhecida como Juliana Fulano, aceito numa boa ser Juliana Fulano-Beltrano. E se o CIC aceitar, será que eu posso, com base no meu documento de cidadania, solicitar a mudança do meu nome em outros órgãos públicos (Revenu Quebec, Revenu Canada, SAAQ, assurance maladie, yada yada)?

Coisas a serem pesquisadas… hehe

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Post inspirado na minha experiência dessas últimas semanas… por conta do meu trabalho, a cada dois anos tenho que renovar meus antecedentes criminais canadenses… sempre um saco preencher o formulário por conta dos trocentos nomes diferentes… Dia desses tive que fazer um documento e, na hora de ir buscá-lo, obviamente meu nome estava errado (a coisa sempre começa com o funcionário não encontrando meu nome no sistema, tive que dar meu número de dossiê)… depois de passar quase uma hora conversando com mais de uma pessoa, de explicar o significado dos conectivos, que o ‘e’ não era abreviação, eu ganhei o nome de Juliana de Fulano A. Beltrano… 

 

Um dia de trabalho diferente (II)…

E aí que o tempo passa, a gente entra numa rotina tão grande que, quando menos percebemos, chegou a época de fazer trabalho voluntário pela empresa novamente!

E como eu tinha dito ano passado (depois de ter ajudado uma escola que, venhamos e convenhamos, não precisava tanto assim), resolvi que só participaria este ano se a escola realmente precisasse. E essa precisava! Muito!!

O projeto foi renovar uma sala multiuso usada em um programa de último recurso à adolescentes de situação de risco, ou seja, alunos que, por n motivos, tem potencial para terminar o secondaire, mas que não conseguem acompanhar aulas ‘normais’. A dinâmica do programa é diferente de uma sala de aula regular e os professores conseguem identificar problemas e propor ajuda (psicológica, educacional, assistência social, etc…). O programa é tão eficiente que 82% dos alunos que participaram dele conseguiram terminar o secondaire (a média geral da escola é 70%*) e dos que terminaram, todos seguiram com os estudos no CEGEP. Lindo, né?

E a sala, minha gente, estava um caco! Metade dos computadores quebrados, tudo muito sujo e destruído. Olhem o estado da pia:

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Eu estudei em escola pública por 8 anos, minha mãe deu aulas em 3 escolas públicas diferentes na periferia de São Paulo (todas em uma das áreas mais violentas da Zona Leste), e eu nunca tinha visto algo tão caindo aos pedaços. E fiquei ainda mais impressionada com o comprometimento dos professores em ajudar esses adolescentes num ambiente que inspira tudo, menos acolhimento, segurança e ajuda.

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IMG_4616Pintamos paredes, renovamos móveis, lockers e esse piano (meu xodó da renovação), doamos computadores, mesas, cadeiras e sofás novos. Conhecemos professores e alunos. E senti que estavamos fazendo a diferença.

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Depois de um dia de muito trabalho, a coisa ainda não ficou pronta. Um outro grupo de colegas vai lá amanhã terminar a renovação. Eu mesma, apesar do corpo moído, queria poder voltar para ver o projeto concluído.

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* Eu achei a taxa de desistência de 30% super alta… Soltei um comentário na hora e um colega sentado do meu lado soltou “Eu mesmo não tenho o diploma do secondaire. Fiz duas vezes o secondaire 4, reprovei em matemática as duas vezes e desisti.”.

 

Dance, dance…

E aí que, enquanto eu não decido se caso ou compro bicicleta, resolvi que vou dançar!

IMG_4523Aproveitando a saison curtinha de verão, resolvi me inscrever em aulas de ballet adulto. As aulas ainda não começaram, mas já estou achando fantástico poder finalmente realizar um sonho meu de sempre, e na escola que eu namorava desde a época de pesquisas e devaneios pré-imigração.

Contarei mais sobre as minhas aventuras no mundo da dança assim elas começarem! haha

E já que o assunto é ballet para adultos, fiquem com o trailer do documentário ‘Adult Beginner Ballet’, realizado pela Michelle Ortega. Para assistir o documentário (de 22 minutos) na íntegra, é só clicar aqui.

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Não é fácil ser verde…

Haha… Na verdade aqui até que é! ;)

Hoje eu recebi um ‘bac brun’ da prefeitura de Ste-Anne.

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E para que serve um ‘bac brun’? Oras, para o lixo orgânico compostável! :D

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Junto com o bac, cada unidade do imóvel recebeu um ‘bac de cuisine’ com as instruções dos tipos de resíduos aceitos e dicas de como evitar os problemas mais comuns (odor, mosquitos, etc.).

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Eu ainda quero ter minha própria composteira (meus planos de ter uma nos fundos do quintalzinho foram pelo ralo quando um dos vizinhos foi contra), mas achei fantástico que as prefeituras daqui estão aderindo à compostagem.

Das pequenas alegrias de se morar aqui!

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“And the rain, hail, sleet and snow”…

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Semanas atrás eu li o seguinte haiku:

tulips buried-

the soft silence

of April snow

Dina Cox

E pensei: “Ah, vá! Isso quase nuuunca acontece.”

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Vamos dizer que eu estou feliz por ter perdido o horário para trocar os pneus de inverno na segunda-feira.

***

Músicas para ouvir na esperança de um dia lindo de sol e céu azul vir logo:

– ‘Here Comes the Sun’ – The Beatles (ou Nina Simone, ou Richie Ravens)

– ‘Santa Clara Clareou’ – Jorge Ben Jor

– ‘Waiting for the Sun’ – The Doors

– ‘California Dreamin” – The Mammas & The Pappas

– ‘Sitting On The Dock Of The Bay’ – Otis Redding

– ‘First Days of Spring’ – Noah & the Whale

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Dos dias de primavera…

O  sol estava quentinho a ponto de me deixar ficar sentada um tempão ao ar livre, sem luva, sem gorro, e sem dedo ou orelhas querendo congelar…
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Apreciando o vistão. Me arrependi de não ter levado um livro… sem vento, teria ficado horas ali…

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O único ponto negativo dessa época de degelo é o estado que a Nina sempre fica depois dos passeios… é muito sujeira grudada na pelagem molhada… Eca!

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E numa nota curiosa, lembrei que tinha passado em Ste-Anne ano passado num dessas tardes gostosas de março… vejam a diferença entre um inverno ‘light’ (ano passado) e o ‘normal’ (desse ano)!

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Resetaram a primavera…

Ia começar a escrever este post na semana passada… quando as temperaturas voltaram a baixar…
IMG_1822Tudo que estava derretendo voltou a congelar…IMG_1833

Masss, St-Pierre reservou mais uma tempestade de neve para nós!

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Muita gente reclamou, mas eu achei uma delícia… mesmo tendo me espatifado no chão ontem. Só fiquei com dó dos passarinhos serelepes… eles deveriam ter ficado mais uma semana no sul.

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Mas nada muda o fato que estamos tecnicamente na primavera e que com o sol ‘quente’ da tarde essa neve não vai durar muito… IMG_1949

Mesmo tendo caído muuuita neve…

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E eu já falei que a luz de hoje à tarde estava fantástica?

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E que caiu muuuita neve?

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E eu aproveitei! E me despedi! A neve estava no joelho e pulei nela até cansar, comi neve, fiz um anjo, tentei fagocitar o inverno em uma tarde,  e me arrependi profundamente de não ter comprado (ou alugado) um equipamento de raquette… O Parc du Cap-St-Jacques fica entre o trabalho e minha casa e poderia ter aproveitado muito mais a tarde.

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Agora a primavera pode vir, e mais do que ela, pode vir o verão!! Estou pronta!

:)