Eu li…

‘Suffering Sucottash – A Picky Eater’s Quest to Understand Why We Hate the Foods We Hate’, Stephanie V.W. Lucianovic

Oi, meu nome é Juliana e eu sou ‘enjoada para comer’. Ou ‘chata para comer’. Ou qualquer outro sinônimo que signifique que boa parte dos alimentos me dá nojinho… de dar ânsia, com reflexo faríngeo…

Hoje eu tolero bem mais os alimentos e tenho tentado experimentar coisas novas. Consigo comer boa parte da comida alheia, apesar de ainda engolir com muita dificuldade uma macarronada de atum, ou salpicão e de ter recusado alguns convites para jantar na casa de amigos de etnias muito diversas (acho mais fácil experimentar coisas novas em restaurantes, se o gosto ou o cheiro ou a textura estão ‘errados’, é só deixar a comida no prato, mas e na casa dos outros? o e reflexo faríngeo?). Quando eu era criança e adolescente… meldels! Eu sofria, minha mãe sofria e durante um tempo eu simplesmente passei a recusar convites de almoço ou jantar que não fosse ‘seguros’ (ou seja, onde eu conseguiria encontrar pelo menos uma coisa que eu conseguisse comer, que fosse um pão, por exemplo). Durante minha infância, quando eu não tinha muita escolha, inúmeras técnicas foram desenvolvidas para (a) escolher o que ia parar no prato – de preferências quantidades mínimas; (b) esconder comidas ‘erradas’ – que pelo cheiro, gosto ou textura faziam minha garganta travar ou (c) fazer parecer que parte das quantidades mínimas que estavam no prato tinha sido de fato comidas. Por essas e outras que invejo um pouco as pessoas que falam que tiveram uma infância livre de preocupações… refeições quase sempre foram motivos de angústia durante toda a minha infância.

E ler o livro da Stephanie Lucianovic  foi, de certa forma, bem liberador! Eu não me senti sozinha – no meu círculo da infância eu era a única ‘chata’, ou pelo menos eu era a única cujos níveis de chatisse causavam problemas sociais (pq, veja bem, você não pode ir numa casa e simplesmente recusar a comida do anfitrião… você tem que comer e repetir! e vou dizer, é uma tortura comer 5 colheradas de uma comida que faz todos os músculos da tua garganta travar). E eu percebi que existem certas coisas comuns a todos os ‘chatos’ –  especialmente como quase todos os chatos passaram a apreciar a comida e se aventurar na expansão do paladar depois que passaram a cozinhar eles mesmos – alguns viram foodies, food lover & food bloguers – e que quase todos os chatos tem um método para testar alimentos novos – o meu, no caso de legumes e vegetais, é assar com azeite, sal e pimenta.

Stephanie busca repostas para as perguntas mais básicas sobre a ‘chatisse para comer’. Seria um problema genético? Emocional? Um tipo de TOC? No fim das contas, ainda não existem respostas concretas. São poucos os estudos sobre o assunto e, provavelmente essa condição é uma combinação destes fatores e de mais alguns outros que ainda não conhecemos.

O livro está longe de ser científico ou de ser um guia para pais com filhos enjoados. Mas se você é um adulto que já foi, ou ainda é um chato para comer, a leitura com certeza vai ser interessante.

5 down 7 to go. 

:)

Anúncios

7 pensamentos sobre “Eu li…

  1. Sou eu ! Ou melhor, fui eu … Quando era pequeno, não comia nada. E isso era um problema. Tanto que meu menu na casa das tias e das vós era especial. E comer fora era um árduo trabalho. Melhorei muito após casar. Me aventurar para procurar novas emoções fez parte da descoberta dos sabores. Mas mesmo assim, ainda sou “fresco para comer”, como dizem outras línguas.
    Para mim, o pior sempre foi as comidas com cheiros desagradáveis. Peixe, camarão e afins ainda não entram na minha alimentação, com exceção de um congro rosa, linguado e outros mais suaves.
    Infelizmente muitos não entendem: não fazemos por opção ! É simplesmente carma !

    • Sortudo! Minhas tias não faziam menu especial não!! Só mãe e vó! rsrsrs

      E realmente ser fresco nunca foi opção… eu bem que tentava experimentar coisas novas, o problema é que quase tudo não descia bem…

      (obrigada por seguir o blog!)

  2. rs essa história de comer na casa dos outros me fez lembrar uma coisa que me aconteceu quando era adolescente. Tinha umas amigas da escola e combinamos de ir fazer um trabalho na casa de uma delas. Ela perguntou o que a gente gostava de comer e tal e todas concordaram que gostavam de strogonoff. Fui alegre e contente e quando chegou a hora do almoço – a minha surpresa : Era strogonoff de camarão!!! hahaha Na época eu nem imaginava que tinha strogonoff de camarão rs detesto frutos do mar, não suporto nem o cheiro rs Eu como alguns peixes, maioria de carne bem branca, mas não é, confesso, minha preferência rs Comida asiática tb me embrulha o estomago, a maioria. kkkkk Sou fresca um pouco rs Não sou aberta a tantos sabores diferentes não.

    • Para mim é muito mais uma questão de textura… e nem isso é muito lógico… exemplo: estou tentando quebrar o bloqueio com o tomate cereja (colocar um tomate cereja inteiro na boca e morde-lo sempre me deu ânsia na hora – hoje eu consigo comer tomate cereja quando faço raclette – mas ainda assim, prefiro partir o tomatinho no prato… rsrsrs) mas desde criança eu a-do-ro pé de galinha (oi?), moela e tudo quanto é fruto do mar (desde que fossem fritos ou assados – peixe ensopado dá nojinho… rsrsrs)

      Hoje em dia, de tudo o que eu já experimentei e re-experimentei, só não consigo comer beringela e fígado… sob nenhuma hipótese… e vou dizer, experimentar coisas novas e quebrar certos bloqueios tem me feito super bem!

      • Nossa….. rs mas já vi outras pessoas que não curtem muito tomate cereja. Eu como ele inteiro na boa mas prefiro parti-lo quando é possível rs Adoro beringela! Nunca comi pé de galinha, moela e muito menos como coração da mesma kkkkkk Eu comia fígado quando era pequena…. eu não sei como que eu conseguia comer isso hahahaha mas acho que também há coisas que são muito de como são feitas. Eu já comi coisas em restaurantes naturais que eu jamais comeria em casa rs E salmão, eu sou a frescura em pessoa rs, não como salmão feito em casa, eu só como um salmão específico feito no restaurante kkkkkk

  3. Sabe que a filha de uma amiga tem algo parecido. Quer dizer, eu acho que é parecido, ela realmente trava a garganta e passa mal. Ela foi diagnosticada com uma especie de nome esquisito + hipersencibilidade + bla bla bla. Ela tem 5 anos e só consegue comer as coisas em forma pastosa, ou seja, vai carne, arrooz, grãos, tudo para o liquidificador e ela adora a gororoba. Passei um tempo preconceituoso achando que era frescura. Mas, isso da tanto trabalho pra minha amiga que mudei de opinião. Ela faz fono, usa aparelho, exercicios para fortalecer a musculatura ( a menina demorou pra andar pois as proteinas essenciais pros musculos demoraram a chegar) , enfim, uma pancada de coisas que atrapalham no desenvolvimente. Acho super curioso e claro, tenho dó da minha amiga. Vou recomendar esse livro pra ela! ;)

  4. Nossa, eu fico IGUAL vc descreveu! Pensei que só eu era assim, já que não conheço ninguém mais chata do que eu pra comida rsrs Tô tentando mudar, não é fácil, mas também não é impossível né?!

    Gostei da indicação do livro, vou procurar pra ler.

    By the way… to sempre curtindo suas fotos no Instangram! =)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s