Ah, as eleições…

Hey peeps!

Acho que todo mundo já sabe que ontem (começei a escrever esse post na quarta-feira) foi dia de eleições por aqui; que o Parti Québecois ganhou, mas será minoritário; que houve um tiroteio durante o discurso da vitória de Mme. Marois, com 1 morto e 1 ferido; e que M. Charest, depois da derrota, abandonou a vida política.

Agora guentem meus 2 cents sobre o assunto…

Pequena pausa no pitaco para apreciar o pôr-do-sol de hoje ontem (o de hoje também estava lindão, mas fui caminhar com a Nina sem câmera):

Juro que faz um bem danado ao espírito!

Bom, voltando ao assunto, e como um disclaimer, acho justo dizer que eu sou federalista até o último fio de cabelo. Não acho que o Québec deva, ou precise, se separar. Apesar (ou talvez por conta) disso, sempre busco ler as notícias nas duas línguas, para tentar ter a uma visão a mais abrangente possível…

Segundo disclaimer –  acho que eu preciso dos seguintes livros djá: ‘Canadian Politics for Dummies’ e ‘Politique québécoise pour les nuls’, nem sei se eles existem, mas deveriam existir, afinal, ainda tenho um monte de perguntas que ainda estão sem respostas pois os sistema de governo, forma de estado, forma de governo e tudo o mais que eu aprendi nas aulas de Teoria Geral do Estado e Ciência Política e que vivi nos meus quase 15 anos de eleitora são diferentes…

Agora sim, meus 2 cents:

O sistema eleitoral e o período de eleições

Existem ‘n’ diferenças entre o sistema eleitoral daqui e o de T. Brasilis, mas das coisas que mais me chamaram atenção foram as seguintes:

– voto distrital – a Assembléia Nacional tem cento e vinte e cinco cadeiras, uma para cada distrito;

– vota-se no partido – o que faz a lista de candidatos de cada distrito super enxuta, acho que a daqui (Jacques-Cartier) não chegava a 10, contando os independentes.

– o que faz a necessidade de propaganda eleitoral ser mínima – pq, em tese, se eu voto no partido, eu não preciso nem saber quem é o candidato… Aqui é que um livro ‘pour les nuls’ me faz falta… não sei como o parlamento funciona… e não sei o que a lei eleitoral ou o costume dispõem… um parlamentar pode virar ‘rogue’ e sair votando no que der na telha? Um partido pode decidir votar de forma contrária a sua proposta eleitoral? Como funcionam as negociações e eventuais acordos quando se coloca um determinado assunto na pauta de votação, especialmente num parlamento sem maioria? Je ne sais pas…

O raciocínio por trás do voto

Eu sei que estou reduzindo horrores, mas a impressão que tive (pelo menos nessas eleições) é que as pessoas aqui votam no partido que elas detestam menos… o caminho que as pessoas parecem fazer é: 1) olhar o histórico das eleições no seu distrito (quem tradicionalmente ganha? liberais ou péquistes?); 2) decidir quem eu detesto mais; 3) votar naquele que tem reais chances de ganhar daquele que eu detesto mais. Sem brincadeira, das pessoas com quem conversei, nenhuma estava votando por acreditar em 100% nas propostas do partido, e sim por não querer que o outro ganhasse. Ou seja, pra mim, o PQ ter ganho não é sinônimo da população do Québec querer se separar, mas da população não querer mais os liberais no poder.

E aí meus questionamentos chegam a galope: pq os eleitores ficam tão presos aos 2 partidos tradicionais? Pq não buscar outras alternativas? Ou acreditar que as alternativas podem, sim, ter chances de ganhar? E, considerando as últimas eleições federais – em que o Québec elegeu em peso o NDP – fico me perguntando se o que está faltando na província não seria um partido social-democrata, sem cunho separatista.

A Assembleia Nacional sem partido majoritário

Essa realmente é a grande questão para mim. O PQ tem apenas 4 cadeiras a mais que o PLQ. Suponho que o QS (2 cadeiras) vote com o PQ na grande maioria dos assuntos,  ainda assim, não chegariam perto da maioria dos votos. Ou seja, o PQ precisa do CAQ, e até onde vi, PQ e CAQ só tem duas propostas eleitorais em comum: garderies e legislação anti-corrupção… e o resto dos problemas da província #comofaz? Je ne sais pas, mas acho que preciso começar a assistir as transmissões do canal da assembléia nacional para aprender ;)

Francófonos, anglófonos, [insira sua lingua]ófonos, o louco franco-atirador e a mídia

O assunto é para mais de um post, foi aqui que eu parei de escrever ontem e é aqui que eu paro hoje. E não é pq estou querendo escrever um post criticando anglofonos, francófonos, mídia e o louco… na verdade, acho que políticos e mídia estão lidando com muita sensatez, a palavra de ordem é evitar colocar mais lenha na fogueira. Tentarei por ordem nos meus pensamentos durante o fim de semana e volto a escrever aqui.

:)

Anúncios

Um pensamento sobre “Ah, as eleições…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s